04 abril, 2018

Correios - Atrasos


Desde o Natal de 2017, tem havido um percentual incomum de casos com atrasos dos Correios, principalmente na região do estado do RJ.

Assim que o pedido é aprovado é providenciado o envio, o que na maioria segue no dia, ou não demora mais que 1 dia útil pós aprovação, exceto por algum problema em que notificamos por e-mail.

À partir dai... solicitamos a cada cliente que acompanhe seu pedido, de preferência via aplicativo e nos comunique de atrasos para abertura de chamada nos Correios (o que infelizmente tem ajudado pouco na agilização da entrega, a maioria tem retornado após 5 dias com adiamento de prazo).

Nosso intuito é oferecer bem estar às pessoas e não causar stress. Por isso, enquanto a situação dos Correios não regulariza, pedimos que tenham paciência, sem ansiedade na espera daquilo que foge do nosso controle! 

Não é de nossa responsabilidade direta o trânsito dos produtos, já que nenhum usuário dos Correios, tem controle sobre o serviço dos Correios

Raros são os casos notificados de roubo ou extravio, estes são sempre avisados pelos Correios, e providenciado reenvio ou devolução financeira.O que tem havido é realmente atraso.

E felizmente não é o caso da maioria - a maioria é entregue dentro do prazo ou com atraso máximo de 2 dias. O que nos faz continuar acreditando e torcendo por melhoras nos serviços que os Correios prestam a milhares de brasileiros.

E qualquer dúvida, ficamos à disposição!

aromarte@aromarte.com.br




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08 março, 2018

Sem esforço



Entregue a sua existência à própria existência.
Pare de nadar. 
Abandone o impulso de salvar-se. 
Faça-o agora. 
Eu estou aqui observando. 
Não entretenha o pensamento, 
“Não! Eu não posso! Eu não posso rejeitar o esforço!”. 
É isso que cria o sofrimento. 
Ao deixar ir, deixar ser, 
existe paz, silêncio e clareza 
que surge do completo abandono. 
Deixe a vida ser.

Mooji ॐ




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06 março, 2018

Sofrimento

por Milene Siqueira


Eu sofro, tu sofres, ele sofre... 

E todos nós sofremos. Mas tá todo mundo fingindo de não sofrer, não mostrando que sofre e evitando o sofrimento. 

Às vezes a gente até acha mesmo que não sofre. Olha aquilo, olha fulano... e conclui: aquilo ali é que é sofrimento... A tal da comparação nos dá uma proteçãozinha pra gente continuar "levando".
E ok... a gente pode estar com saúde e se sentindo até que bem. Mas se a gente não coloca lupa no sofrimento, se só o estanca... daqui a pouco "do nada" surge uma doença, um problema que pega a gente de "calças curtas" (véio isso, hein! rs). E situações que a gente podia ter vivido e não viveu... o sentimento de se gostar do jeito que se é, de ter compaixão, perdoar, eliminar as mágoas, nem isso rolou! E pluft... a vida tá acontecendo e tá passando...

Mas cada um tem o seu quinhão de sofrimento, e se tira uma camada, e outra, e outra de máscara, o que encontraremos? Sofrimento. Daí tanto medo do vazio. E pra espantar esse medo, mergulhamos no entretenimento, na balada, no game, no outro, ou mesmo em coisas mais tranquilas como no trabalho, em uma causa social, por ex. Mas que no fundo é só medo de fazer contato honesto consigo. E aliviar o sofrimento do outro é mais fácil que ver o seu... 
Essa distração que até é inconsciente, dá infinitas possibilidades de maquiar as camadas. Não que tudo isso que citei seja ruim não... mas como o fazemos é que pode ser.

Mas na real... não adianta fingir, porque o sofrimento tá aí. E parece até proporcional ao número de selfies postadas. O provérbio pode ser trocado: "Diga como estão tuas selfies e te direi como tu estás".

Ok, e daí? Falar do meu sofrimento, resolve o quê? Responder que está meio péssimo no tudo bem, pra quê? Pois é... pra quê??? Já que o que vai acontecer é a conversa se prolongar e chover conselhos, e a maioria serão bem comparativos que só aliviarão... ou quem sabe pode até surgir de alguém uma luz. Mas eu também fico com o "tudo bem", pra não complicar (sinto uma falta de emoji aqui no blogger nessas horas...). 
Mas assumir a infelicidade serviria essencialmente pra UMA coisa, pra todo mundo se ligar que tem algo dando errado. E que ao invés de perder tempo maquiando o sofrimento, pode parar de reagir e começar a olhar essa nuvenzinha cinzenta como sendo aquela amiga que avisa que o corte do seu cabelo não está nada bom... E tá aí a boa sacada do sofrimento: transformação.
Se todo sofrimento é opcional, só se torna opção quando reconhecemos que ele existe.

A Kabbalah tem uma citação que cabe nesta reflexão:


 "o maior truque que o diabo já fez foi convencer o mundo de que ele não existe"

"...em nossa vida a força de Satan aparece na forma de ego, porque é o ego que ativa toda forma de comportamento reativo" (Yehuda Berg)

Pois é... ao invés de ficar com medo de um sujeito de 2 chifres, e de ficar espantando inveja com alho e sal grosso, não tenha medo e vá saber como age o ego. Porque se há sofrimento há apego, e se há apego (a coisas, pessoas e principalmente a ideias) há ego. Bom resuminho da tragédia. Porque não sofremos pelas pessoas ou coisas que estão dando errado na nossa vida, mas sim do quanto estamos reagindo. E por ignorância (falta de sabedoria) e dai mais "errado" elas vão acontecendo.

E o ego tem tantos disfarces... que quando achamos que o sacamos, ele ainda está lá dando gargalhada da gente. A boa notícia é que podemos rir também, por que o paradoxo é que ele existe, mas que não é real.

E nosso maior propósito aqui no planeta é se libertar desse domínio, deixá-lo no lugar que lhe cabe, sair desta ilusão. E nesse caminho inclui a aprender a olhar sua mente e a cultivar o mais relevante: a silenciar sua mente. Porque controlar a química do cérebro através do silêncio é essencial para controlar o domínio do ego. 

Bom, que tal aproveitar esse tempo de quaresma e começar a reconhecer a existência do sofrimento? E assim a dialogar com as formas de lidar com o sofrimento.
Dica essencial: contato com a natureza e quietude/meditação. Inclua também: oração e/ou mantras e estudos.
E assim de repente quem sabe... na Páscoa, eu, tu, ele e todos nós renascemos!






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14 fevereiro, 2018

A matrix...

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"Uma nova classe de pessoas deve surgir até 2050: a dos inúteis"
Com o avanço da inteligência artificial, Yuval Noah Harari, autor de ‘Sapiens’, prevê que muitos profissionais não apenas ficarão desempregados, como também não serão mais empregáveis.
Com o avanço da inteligência artificial, os humanos serão substituídos na maioria dos trabalhos que hoje existem. Novas profissões irão surgir, mas nem todos conseguirão se reinventar e se qualificar para essas funções. O que acontecerá com esses profissionais? Como eles serão ocupados? Yuval Noah Harari, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e autor do livro Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, pensa ter a resposta. 
Em artigo publicado no The Guardian, intitulado O Significado da Vida em um Mundo sem Trabalho, o escritor comenta sobre uma nova classe de pessoas que deve surgir até 2050: a dos inúteis. "São pessoas que não serão apenas desempregadas, mas que não serão empregáveis", diz o historiador.
De acordo com Harari, esse grupo poderá acabar sendo alimentado por um sistema de renda básica universal. A grande questão então será como manter esses indivíduos satisfeitos e ocupados. “As pessoas devem se envolver em atividades com algum propósito. Caso contrário, irão enlouquecer. Afinal, o que a classe inútil irá fazer o dia todo?”.
Uma das possíveis soluções, apontadas pelo professor, são os games de realidade virtual em 3D. “Na verdade, essa é uma solução muito antiga. Por centenas de anos, bilhões de humanos encontraram significados em jogos de realidade virtual. No passado, chamávamos esses jogos de ‘religiões’”, afirma Harari. “Se você reza todo dia, ganha pontos. Se você se esquece de rezar, perde pontos. Se no fim da vida você ganhou pontos o suficiente, depois que morrer irá ao próximo nível do jogo (também conhecido como céu)”.
Mas a ideia de encontrar significado na vida com essa realidade alternativa não é exclusividade da religião, como explica o professor. "O consumismo também é um jogo de realidade virtual. Você ganha pontos por adquirir novos carros, comprar produtos de marcas caras e tirar férias fora do país. E, se você tem mais pontos que todos os outros, diz a si mesmo que ganhou o jogo”. 
Para o escritor, um exemplo de como funcionará o mundo pós-trabalho pode ser observado na sociedade israelense. Alguns judeus ultraortodoxos não trabalham e passam a vida inteira estudando escrituras sagradas e realizando rituais religiosos. Esses homens e suas famílias são mantidos pelo trabalho de suas esposas e subsídios governamentais. “Apesar desses homens serem pobres e nunca trabalharem, pesquisa após pesquisa eles relatam níveis de satisfação mais altos que qualquer outro setor da sociedade israelense”, afirma Harari.
Segundo o professor, o significado da vida sempre foi uma história ficcional criada por humanos, e o fim do trabalho não irá necessariamente significar o fim do propósito. Ao longo da história, muitos grupos encontraram sentido na vida mesmo sem trabalhar. O que não será diferente no mundo pós-trabalho, seja graças à realidade virtual gerada em computadores ou por religiões e ideologias. "Você realmente quer viver em um mundo no qual bilhões de pessoas estão imersas em fantasias, perseguindo metas de faz de conta e obedecendo a leis imaginárias? Goste disso ou não, esse já é o mundo em que vivemos há centenas de anos”.

Bons temas a refletir... 


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“Hoje o indivíduo se explora e acredita que isso é realização”

O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, um destacado dissecador da sociedade do hiperconsumismo, fala sobre suas críticas ao “inferno do igual”


As Torres Gêmeas, edifícios idênticos que se refletem mutuamente, um sistema fechado em si mesmo, impondo o igual e excluindo o diferente e que foram alvo de um ataque que abriu um buraco no sistema global do igual. Ou as pessoas praticando binge watching (maratonas de séries), visualizando continuamente só aquilo de que gostam: mais uma vez, multiplicando o igual, nunca o diferente ou o outro... São duas das poderosas imagens utilizadas pelo filósofo sul coreano Byung-Chul Han (Seul, 1959), um dos mais reconhecidos dissecadores dos males que acometem a sociedade hiperconsumista e neoliberal depois da queda do Muro de Berlim. Livros como A Sociedade do CansaçoPsicopolítica e A Expulsão do Diferente reúnem seu denso discurso intelectual, que ele desenvolve sempre em rede: conecta tudo, como faz com suas mãos muito abertas, de dedos longos que se juntam enquanto ajeita um curto rabo de cavalo.
"No 1984 orwelliano a sociedade era consciente de que estava sendo dominada; hoje não temos nem essa consciência de dominação”, alertou em sua palestra no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB), na Espanha, onde o professor formado e radicado na Alemanha falou sobre a expulsão da diferença. E expôs sua particular visão de mundo, construída a partir da tese de que os indivíduos hoje se autoexploram e têm pavor do outro, do diferente. Vivendo, assim, “no deserto, ou no inferno, do igual”.
Autenticidade. Para Han, as pessoas se vendem como autênticas porque “todos querem ser diferentes uns dos outros”, o que força a “produzir a si mesmo”. E é impossível ser verdadeiramente diferente hoje porque “nessa vontade de ser diferente prossegue o igual”. Resultado: o sistema só permite que existam “diferenças comercializáveis”.
Autoexploração. Na opinião do filósofo, passou-se do “dever fazer” para o “poder fazer”. “Vive-se com a angústia de não estar fazendo tudo o que poderia ser feito”, e se você não é um vencedor, a culpa é sua. “Hoje a pessoa explora a si mesma achando que está se realizando; é a lógica traiçoeira do neoliberalismo que culmina na síndrome de burnout. E a consequência: “Não há mais contra quem direcionar a revolução, a repressão não vem mais dos outros”. É “a alienação de si mesmo”, que no físico se traduz em anorexias ou em compulsão alimentar ou no consumo exagerado de produtos ou entretenimento.
'Big data’.”Os macrodados tornam supérfluo o pensamento porque se tudo é quantificável, tudo é igual... Estamos em pleno dataísmo: o homem não é mais soberano de si mesmo, mas resultado de uma operação algorítmica que o domina sem que ele perceba; vemos isso na China com a concessão de vistos segundo os dados geridos pelo Estado ou na técnica do reconhecimento facial”. A revolta implicaria em deixar de compartilhar dados ou sair das redes sociais? “Não podemos nos recusar a fornecê-los: uma serra também pode cortar cabeças... É preciso ajustar o sistema: o ebook foi feito para que eu o leia, não para que eu seja lido através de algoritmos... Ou será que o algoritmo agora fará o homem? Nos Estados Unidos vimos a influência do Facebook nas eleições... Precisamos de uma carta digital que recupere a dignidade humana e pensar em uma renda básica para as profissões que serão devoradas pelas novas tecnologias”.
Comunicação. “Sem a presença do outro, a comunicação degenera em um intercâmbio de informação: as relações são substituídas pelas conexões, e assim só se conecta com o igual; a comunicação digital é somente visual, perdemos todos os sentidos; vivemos uma fase em que a comunicação está debilitada como nunca: a comunicação global e dos likes só tolera os mais iguais; o igual não dói!”.
Jardim. “Eu sou diferente; estou cercado de aparelhos analógicos: tive dois pianos de 400 quilos e por três anos cultivei um jardim secreto que me deu contato com a realidade: cores, aromas, sensações... Permitiu-me perceber a alteridade da terra: a terra tinha peso, fazia tudo com as mãos; o digital não pesa, não tem cheiro, não opõe resistência, você passa um dedo e pronto... É a abolição da realidade; meu próximo livro será esse: Elogio da Terra. O Jardim Secreto. A terra é mais do que dígitos e números.
Narcisismo. Han afirma que “ser observado hoje é um aspecto central do ser no mundo”. O problema reside no fato de que “o narcisista é cego na hora de ver o outro” e, sem esse outro, “não se pode produzir o sentimento de autoestima”. O narcisismo teria chegado também àquela que deveria ser uma panaceia, a arte: “Degenerou em narcisismo, está ao serviço do consumo, pagam-se quantias injustificadas por ela, já é vítima do sistema; se fosse alheia ao sistema, seria uma narrativa nova, mas não é”.
Os outros. Esta é a chave para suas reflexões mais recentes. “Quanto mais iguais são as pessoas, mais aumenta a produção; essa é a lógica atual; o capital precisa que todos sejamos iguais, até mesmo os turistas; o neoliberalismo não funcionaria se as pessoas fossem diferentes”. Por isso propõe “retornar ao animal original, que não consome nem se comunica de forma desenfreada; não tenho soluções concretas, mas talvez o sistema acabe desmoronando por si mesmo... Em todo caso, vivemos uma época de conformismo radical: a universidade tem clientes e só cria trabalhadores, não forma espiritualmente; o mundo está no limite de sua capacidade; talvez assim chegue a um curto-circuito e recuperemos aquele animal original”.
Refugiados. Han é muito claro: com o atual sistema neoliberal “não se sente preocupação, medo ou aversão pelos refugiados, na verdade são vistos como um peso, com ressentimento ou inveja”; a prova é que logo o mundo ocidental vai veranear em seus países.
Tempo. É preciso revolucionar o uso do tempo, afirma o filósofo, professor em Berlim. “A aceleração atual diminui a capacidade de permanecer: precisamos de um tempo próprio que o sistema produtivo não nos deixa ter; necessitamos de um tempo livre, que significa ficar parado, sem nada produtivo a fazer, mas que não deve ser confundido com um tempo de recuperação para continuar trabalhando; o tempo trabalhado é tempo perdido, não é um tempo para nós”.
O “MONSTRO” DA UNIÃO EUROPEIA
“Estamos na Rede, mas não escutamos o outro, só fazemos barulho”, diz Byung-Chul Han, que viaja o necessário, mas não faz turismo “para não participar do fluxo de mercadorias e pessoas”. Também defende uma política nova. E a relaciona com a Catalunha, tema cuja tensão atenua brincando:
“Se Puigdemont prometer voltar ao animal original, eu me torno separatista”.
Já no aspecto político, enquadra o assunto no contexto da União Europeia: “A UE não foi uma união de sentimentos, mas sim comercial; é um monstro burocrático fora de toda lógica democrática; funciona por decretos...; nesta globalização abstrata acontece um duelo entre o não lugar e a necessidade de ser de um lugar concreto; o especial é incômodo, gera desassossego e arrebenta o regional. Hegel dizia que a verdade é a reconciliação entre o geral e o particular e isso, hoje, é mais difícil...”. Mas recorre à sua revolução do tempo: “O casamento faz parte da recuperação do tempo livre: vamos ver se haverá um casamento entre a Catalunha e Espanha, e uma reconciliação”.

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/07/cultura/1517989873_086219.html?id_externo_rsoc=FB_CC

13 fevereiro, 2018

Integração - Cérebro Trino

Maldita a mente que sobe até as nuvens
na busca de reis míticos e só de coisas místicas,
coisas místicas
clamam pela alma que não encara
o corpo como um igual
e eu nunca aprendi a tocar realmente
o chão, embaixo, embaixo onde os iguanas sentem.

- Iguana Song, por Judy Mayham


Três Cérebros, Uma Mente

          Em nossa exploração do trauma aprendemos sobre as energias primordiais que se encontram no núcleo reptiliano de nosso cérebro. Não somos répteis, mas sem acesso claro à nossa herança repitiliana e mamífera, não conseguimos ser plenamente humanos. A plenitude de nossa humanidade está na capacidade de integrar as funções de nosso cérebro trino.
         Percebemos que para resolver o trauma precisamos aprender a nos mover fluidamente entre o instinto, a emoção e o pensamento racional. Quando essas três fontes estão em harmonia, comunicando sensação, sentimento e cognição, nosso organismo funciona como deveria.
         Ao aprender a identificar e contatar as sensações corporais, começamos a sondar nossas raízes instintivas reptilianas. Em si mesmos, os instintos são apenas reações. Contudo, quando essas reações são integradas e expandidas por nosso sensível cérebro mamífero que sente e por nossas capacidades cognitivas, de forma organizada, experienciamos a plenitude de nossa herança evolutiva. 
        É importante entender que as partes mais primitivas de nosso cérebro não são exclusivamente orientadas para a sobrevivência (do mesmo modo que o nosso cérebro moderno não é exclusivamente cognitivo). Elas carregam informações vitais a respeito de quem somos. Os instintos não nos dizem apenas quando lutar, fugir ou congelar; dizem-nos que pertencemos a esse lugar. O senso de "eu sou eu" é instintivo. Nosso cérebro mamífero amplia esse senso para "nós somos nós" - dizendo que pertencemos juntos a este lugar. Nosso cérebro humano acrescenta um senso de reflexão e de conexão além do mundo material.
        Se não tivermos uma clara conexão com nossos instintos e sentimentos, não poderemos sentir nossa conexão e sensação de pertencer a esta terra, a uma família ou a qualquer outra coisa.
        Aqui estão as raízes do trauma. A desconexão de nossa sensopercepção de pertencer faz com que nossas emoções flutuem num vácuo de solidão. Ela faz com que nossa mente racional crie fantasias baseadas na desconexão e não na conexão. Essas fantasias nos levam a competir, guerrear, desconfiar dos outros, e sabotam nosso respeito natural pela vida. Se não sentirmos nossa conexão com todas as coisas, então é mais fácil destruir ou ignorar essas coisas. Os seres humanos são naturalmente cooperativos e amorosos. Gostamos de trabalhar juntos. Entretanto, sem o cérebro plenamente integrado, não podemos nos reconhecer quanto a isto.
        No processo de cura do trauma, integramos nosso cérebro trino. A transformação que ocorre quando fazemos isso cumpre o nosso destino evolutivo. Tornamo-nos completamente animais humanos, capazes da totalidade de nossas habilidades naturais. Somos guerreiros ferozes, incentivadores suaves, e tudo aquilo que fica entre esses dois pólos.


Epílogo do livro O Despertar do Tigre - Curando o Trauma de Peter A. Levine



06 fevereiro, 2018

Filmes-Documentários



Faz tempo que vi a maioria destes documentários, mas acho que vale dar estas dicas e vi que todos ainda continuam disponíveis:

- O primeiro é The Mask You Live In (Netflix) - um documentário sobre um tema difícil de ver sendo abordado... das dificuldades da cultura machista para os homens. 
Se você curtir (irá!), pode já emendar neste: https://www.youtube.com/watch?v=t7TNmpkNdFs . Apesar do tema ser feminino "a figura da mulher no olhar psicanalítico", Ivan Capelatto discursa muito sobre os homens e toda dificuldade desta mesma cultura machista que acaba repercutindo nas violências sobre o feminino.

- Embrace (Netflix) - O corpo feminino x padrões de beleza e tudo mais. Vale ver a história destas mulheres incríveis!

- Nariz (Netflix) - o tema é da área dos cheiros a que me diz respeito, mas esperava mais de um documentário com este tema. Há curiosidades interessantes, mas... ficou devendo.

- Holy Hell (Netflix) - este fiquei um tanto chocadinha... A gente sabe que existe e tal... Mas ver um narcisista assim e tudo o que movimenta nas pessoas é chocante. Ainda mais sendo assim, tudo tão real, cru e nu...
Este fica assombrando um pouco nossa mente por dias. Ainda assim, vale ver.

-Happy (Netflix) - esse já mais conhecidinho. Felicidade... um bom tema sempre!

- Expedition Happiness (Netflix) - esse novinho na Netflix, um filme de um casal + Rudi, o cachorro,  que percorrem do Alasca ao México a bordo de um ônibus-casa. Paisagens lindas, as aventuras da viagem e uma trilha sonora delícia de conhecer, feita pela própria protagonista - Selima Taibi / "Mogli".


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01 fevereiro, 2018

Vinagre na limpeza! Muito efetivo.


Eu que ando na descoberta dos milagres do vinagre na limpeza... adorei essas dicas do Instagram da BySamia.
Realmente impressionante o poder de limpeza do vinagre... Limpa rejuntes com facilidade (usei puro e deixei 15 a 20 minutos, depois só esfregar), aqueles pretinhos do banheiro que nada limpa (puro tb) ou com detergente. Com água, amaciante, vinagre e bicarbonato limpou estofados. E até armário que nenhum produto limpava com eficácia (usei puro na flanela), o danadinho do vinagre deu conta!
Um amiga ontem me disse que saiu um vinagre da Castelo exclusivo para limpeza, demorô!

Sem contar que livre de química... E na real, os produtos que andávamos usando para limpeza parece é que estavam é sujando mais ao deixarem resíduos :/

Bom, abaixo as dicas com alguns incrementos, incluindo os oes que dão um plus na limpeza!

"Não aguenta mais usar tanta química e ainda pagar caro para limpar a casa? Quer alternativas mais naturais? 
Parece mentira mas com pouquíssimos ingredientes pode criar diversos produtos de limpeza! E o melhor naturais! 

Basta separar vinagre branco de álcool ou de maçã (sim o vinagre é um poderoso desinfetante e desengordurante pois seu principal componente é o ácido acético!), bicarbonato de sódio, sabonete líquido de glicerina vegetal ou sabão de côco e óleos essenciais! 

Para fazer um multiuso:
 - 1/4 de vinagre
- 1 e 3/4 xic de água
- 20 a 30 gotas de óleo essencial (recomendo dividir entre tea tree, limão e laranja)
- e 1 colher de chá de sabonete líquido glicerina.
 Coloque em um frasco spray. 

Quer algo para limpar o banheiro acrescente a receita de cima 1 colher de bicarbonato de sódio.

Para limpar vidro- 1 e 1/2 xíc de vinagre, 1/2 xíc de água e 8 gotas de óleo essencial de limão. Coloque em um frasco. 

Quer limpar o carpete? Misture 1 xic de bicarbonato com 15 gotas de óleo essencial ( tea tree e limão) e aplique no carpete "salpicando" o pó como um talco. Aspire com o aspirador de pó.

Limpeza de rejunte? Esse mesmo pó com vinagre. Deixe agir por 1 hora e esfregue! 

Que tal começar a mudar alguns hábitos e tornar a sua vida mais simples e natural? "



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26 janeiro, 2018

As utilidades do presente x inutilidades do passado/futuro

Estou cá aproveitando a vibe de janeiro para faxina e arrumar gavetas, armários etc...
E percebi uma coisa... sabe aquelas coisas que a gente compra pra gente que a gente "pensa" que vai ser, mas não é? Isso inclui aquela oferta mara... que você pensa que não serve agora, mas que no futuro servirá ou aquele número que não é o seu, mas surge esperança de ser... pode até vir a ser, mas  por outro motivo vai ficar empacado no armário - acredite!
Não que eu tenha muitas compras dessas, mas tenho, claro. E toda vez que arrumo o armário me deparo com estes itens que ficam lá... esperando aquela festa, aquele casamento, fazer aquela formal, aquilo que ia combinar com um futuro que nunca acontece. Há também aquelas compras por medo... rs, pela necessidade futura... Aí o futuro chega e você não precisa mais de nada daquilo. Coisas que ficam obsoletas, ainda mais com a internet.
Pior que são itens sempreeeeee empacados, resolvo os demais que pelo uso já velhinho são descartados, ou que enjoei de usar, etc. Mas estes outros, tal como a compra vou empurrando para mais um futuro na esperança que chegue.

E viajando na batatinha nisso, o inverso também acontece né? Aquelas coisas que não fazemos, não compramos, pensando que no futuro não iremos precisar, iremos descartar, ou até justificar colocando outros tantos impedimentos e deixamos de atuar no PRESENTE, dando a nós aquilo que é presente!

Já as compras feitas nas necessidades do presente caem como uma luva... são encontradas melhor que qualquer previsão.

O presente é sempre (e único!) melhor lugar.

Então... vou ficar com esta lição do dia da arrumação, da próxima vez que der a tentação de olhar para algo e projetar ali um futuro, seja de uma situação ou de uma eu que não sou no presente, vou desencantar. E agora é dar tchau a essas peças de um futuro empacado, fazer girar o presente, e que elas sejam úteis neste presente a alguém.
E em tudo talvez me perguntar quanto tem ali de presente. Tem presente? Então presente!

O amanhã será outro presente, e se proverá!



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30 dezembro, 2017

Desejos 2018...

Johannes Vermeer - The Glass of Wine, 1661

Eu te desejo o gosto da arte.

A arte que inspira, a arte que transforma. 
Arte que vira som, aroma, paladar, imagem, palavra, movimento, pausa e silêncio. E auto-conhecimento!
 Arte que é berço da harmonia do divino que nos habita.

Arte... às vezes simples, outras requinte.

Arte que nasce da inspiração. Tecida é obra, amor em ação. 
Arte é o cuidado, o amado, o compreendido e verdadeiro.
 Arte é solidária, e é também solitude.

Arte se sabe pelos sentidos em sintonia plena, presentes.

Que em 2018 você viva em arte. 
E que a arte viva através de você!
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Milene Cristine Siqueira | Arom'Arte










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16 outubro, 2017

Amadurecimento


Todos nós temos uma forte tendência a usar nossa força para apegar-se aos nossos problemas e evitar soluções. Isso tem muito a ver com o fato de que nossos problemas, a infelicidade ou nossos sintomas nos dão a segurança íntima de que poderemos continuar integrando o nosso clã. O sofrimento é a prova de que nossa alma pueril necessita para não se sentir culpada perante a família. Ele garante e protege o direito de participação. Toda desventura causada por dificuldades sistêmicas é acompanhada pela satisfação profunda de pertencer à família.
Portanto, achar soluções para os nossos problemas é algo de ameaçador . Traz consigo o medo de perder os vínculos, os sentimentos confortadores de culpa e traição, o favor, a confiança do grupo. Quando lutamos por uma solução, imaginamos estar rompendo as normas familiares a que até então obedecemos e sentimo-nos culpados. Solução e felicidade parecem perigosas porque acreditamos que nos vão tornar solitários. E, muitas vezes, esse tipo de participação parece mais importante que a própria felicidade - isso é o que Bert chama de"amor infantil".
Por causa dessa dinâmica, as soluções são acompanhadas frequentemente de culpa; ora, a mudança exige coragem para encarar a culpa. Neste sentido o constelador tem que ter responsabilidade. É muito importante, para quem deseja ajudar, compreender que a dor sistemicamente provocada sempre acarreta sentimentos de segurança e inocência. 

"Pedir às pessoas que mudem é pedir-lhes que renunciem à inocência".

Bert Hellinger




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20 julho, 2017

Talento x Esforço

Por Milene Siqueira

O tema do programa Terra Dois (TV Cultura) transmitido nesta semana, foi sobre talento x superação/esforço (LAB).

A temática era exposta sobre a divergência talento x esforço. Afinal o que mais vemos é ouvir sobre pessoas que precisaram ter aquela história triste de vida e contar que sofreu muito, passou fome, teve doença X, morou mal, mas...ufa... triunfou!
É um destaque à superação e ao esforço... mas não ao talento.

A superação, o esforço e a competição andam juntas, seja com os demais ou conosco mesmo. Ainda que seja apenas para nos superar em algo, o que estamos fazendo é em geral competir com nossas feridas ao invés de reconhece-las e as acolher. Lutar é um verbo aclamado aos quatro ventos. Acolher é eventual, quase raro.
Poderíamos ouvir mais histórias de pessoas que souberam ou aprenderam a acolher suas emoções e se transformaram a partir disto (que é a realidade, ainda que não descrita assim, pois é só a luz que acaba com a escuridão), do que... que "lutaram" contra e venceram...

Mas pra entender melhor, o que é mesmo talento?

Esta já não foi a temática do programa. Dai falando com uma amiga sobre, ela me lembrou que talento é fruto de autoestima, de ser capaz. Yes!
Sim, essa tal autoestima, que infelizmente ainda é uma desconhecida. A autoestima que se adquire logo de pequeno, concedendo aprendizado à criança sobre sua ética, da sua capacidade de aprendizado e aptidão, da educação dos limites, e também de sua beleza própria, única, enfim destes e de outros aprendizados possíveis. E que no decorrer da vida, vai se ampliando pelo autoconhecimento, gerando ou reafirmando a autoestima.
Logo, talento está ligado às facilidades, fluidez.

A palavra talento vem do grego, significando balança, escala, peso e moeda na antiguidade. Conhece a parábola bíblica dos Talentos? Talentos eram as moedas. 
E como tal, as virtudes adquiridas são nossas moedas!
Talentos são importantemente reforçados no ambiente familiar, escolar, social. É aquilo pelo qual se adquire crença positiva, e se apropria da mesma como nato.
Se um talento existe mas não é reconhecido, ou passa a ser motivo de discórdia, vergonha... fica apenas encoberto.
Se "esforços" forem necessários para aperfeiçoar o talento, a palavra mais apropriada seria empenho, esforço sem sofrimento implícito.

As virtudes transmitidas a uma criança, tornam-se suas moedas de ouro, seus talentos. Por exemplo, é natural que eu cozinhe tão bem quanto minha mãe, ou que eu seja tão apta em marcenaria como meu pai. Ainda que não se aprenda com eles, a criança observa e se vê como capaz. Por isso é muito comum os filhos herdarem talentos dos pais, inclusive se profissionalizando na mesma atuação.
Temos inúmeros valiosos talentos. Talento para cozinhar, para habilidades artesanais, pintura, música, oratória, canto, costura, vender, escrever, fotografar, varrer o chão, limpar a casa, criar filhos, jogos, lidar com máquinas, escrever, habilidade em finanças, etc. Habilidades, virtudes são talentos compartilhados por outras talentosas pessoas.  E às vezes tão comum que nem o reconhecemos por talentos!
Uma certa vez, minha mãe precisou passar por uma cirurgia e uma prima ficou em casa para cozinhar. Além de cozinhar bem e ser muito criativa, nunca esqueci a louça que ela lavava, os copos ficavam brilhantes! 
Mas logo vinculamos talento só para artes consideradas mais nobres e/ou as que geram ganhos financeiros! Nada disso... valorize-se, porque seus talentos quaisquer que sejam são suas moedas de ouro.

Dai... como vamos usar nossas moedas que é o que trata aliás a parábola dos talentos é outra questão. 
É nesta parábola que encontramos o conhecido e intrigante trecho: "Porque ao que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado”. Sem dúvida, uma parábola que trata do amor compartilhado contra a avareza.
E sim, pode ser desde lavando a louça e marcando a memória de alguém pra sempre, ou regendo uma grande orquestra e emocionando muitas pessoas.
Deixando de ser "avarento" com o tempo, com as pessoas, com os bens, consigo mesmo até! Ou seja, com a crença na finitude sob qualquer aspecto.
É... fazer do talento um dom, é mesmo uma arte do espírito!

Voltando a temática do programa, a questão estava bem voltada à dificuldade do talentoso (pensando-se neste como destaque).  Já que ser talentoso implica sair da média, da mediocridade e muitas vezes do grupo. É êxito que indica a saída (exit!).
Talento é solitário enquanto sofrimento é solidário -  como lembrou o psicanalista Jorge Forbes.
E portanto, ter talento é muito mais difícil do que se imagina... Além da saída do grupo, são os mais vitimados pela comparação, cobiça, bulling. E muito frequentemente o "talentoso" acaba se vendo sozinho. Confira, vale assistir o programa: LAB.
Não precisaria ser assim... mas é assim que acontece enquanto não nos conscientizamos e "valorizamos" o talento individual de todos, seja qual e de que tamanho for, pois todos os temos e todos os são importantes.

Já ser "esforçado" nivela, pois qualquer um pode a priori se esforçar... Porém o esforço existe pelo desconhecimento. Nadamos contra a maré. Na sociedade que te faz caber na caixa que não lhe serve.
É a partir do autoconhecimento que nadamos no fluxo, sem esforço. Disto resulta em autoestima.... que resulta em talento!

E então... o que fazer com suas moedas? Como somá-las, multiplicá-las? Como adquirir outras? Partindo de dentro, do autoconhecimento, autoconfiança, da ordem, da disciplina, da ética!


Leia também: AutoEstima - O afeto que mora do lado de dentro



*

17 maio, 2017

Sete minutos depois da meia-noite


Ichii.... quanto tempo que não escrevo nada aqui... Dica da sessão pipoca então... nem se fala!

Mas pra deixar registrado aqui um filme que gostei muito, de uma profundidade psicológica tocante. Além das interpretações ótimas.

Sete minutos depois da meia-noite - e está disponível no Netflix.

Bom, já aviso... pega o lencinho.... É bem provável que você precise.



01 fevereiro, 2017

Confiança... além dos fios...

Por Milene Siqueira


"Quando o coração se torna inocente e as paredes desaparecem, você fica ligado ao infinito. E você não terá sido enganado; não existirá nada que lhe possa ser tomado. Aquilo que pode ser tirado de você, não vale a pena guardar; e aquilo que não há como ser tirado de você, por que haveria alguém de ter medo que lhe seja tirado? Não pode ser levado, não há possibilidade. Você não pode perder o seu tesouro verdadeiro"
Osho


Será que é a confiança que nos dá suporte aos medos?

Mas não seria pela quebra da mesma confiança também uma das razões dos nossos medos?

Con-fiança... Com fios - que se lançam na direção de alguém ou de algo.

Lembrei de uma amiga que para fazer tratamento dentário, antes ela precisa chegar e abraçar o dentista. Abraço que diz "eu tenho medo e espero poder confiar em você". 
Aquela mão que segura a nossa na turbulência do avião, num parto...
Faz diferença? Ah, faz. A gente revela nossa insegurança e se sente amparado por um instante que seja.

Contar um segredo a quem se confia. Dividir a vida com quem se confia... 
Mas nessa confiança que dura mais que um instante... mora um problema: a expectativa.
As imagens que temos sobre o outro nem sempre são reais (principalmente quando as imagens sobre nós mesmos são ainda tão nubladas), e as expectativas vão se somando nas projeções. E dai... quase sempre inevitavelmente a gente se vê na rua da amargura. E depois??? Como confiar novamente?
(curioso é que a confiança pode não existir mais, mas as expectativas resistirão!)

Até confiar em nós mesmos fica difícil quando traíram nossa confiança. Afinal a gente se enganou, não foi?

A confiança no resultado das nossas ações. A confiança em Deus... 
Mas e se os resultados saem diferente do esperado? Desconfiamos de nós?
E se passamos por uma difícil provação? Brigamos com Deus?
Puxa... vira e mexe vemos nos noticiários pessoas, circunstâncias, empresas, partidos... tudo parecia tão sólido e confiável... e os castelos desabam diariamente.

A confiança requer ir além desses fios... 
A confiança é uma entrega. Entrega de que tudo está certo, ainda que os resultados mudem, que as dificuldades surjam, que o outro lhe traia a "confiança", que a casa caia.
Afinal a expectativa é nossa, é do pequeno eu. E tudo que de fato acontece é a engrenagem correta da vida, visando nosso "despertar" - num ensinamento que é o que de fato importa.

Não acredito que os medos surjam dos problemas da confiança. Acredito que estejam além disso num sistema de exclusões, e que uma quebra de confiança pode apenas delatar o medo.

Se confiássemos pra valer... não temeríamos a nada, já que o que fosse que fosse acontecer seria sempre o melhor para nós naquele momento.
Mas ok, eu sei... somos humanos... e ainda desconfiamos porque vira e mexe esquecemos. Nosso corpo emocional se abala e damos crédito à mente, no pequeno eu. 
Se confiar ainda dá medo, o melhor que podemos fazer por hora é não fingir que não temos medo.
Mas não desista nunca de confiar! 

E falando nos óleos essenciais, são os amadeirados (como cedro, sândalo, breu, olíbano,copaíba) e terrosos (como vetiver, patchouli, túrmerico, etc) e também os árboreos (como cipreste, espruce, junípero, pinheiros, tea tree), que ajudam a desenvolver a força interna e relembram ao nosso Ser sobre confiança.

O autoconhecimento e agir com honestidade ajuda na confiança. Porque se somos verdadeiros conosco acreditaremos que o outro também seja. Se enxergamos a nós sem máscaras, passamos a ver o outro com transparência. Tudo é um espelho. E se vemos com verdade, sem enganos. E sem expectativas= sem decepções.
E caso a gente se engane, melhor voltar o olhar para si. Dar uma boa olhada nos medos e ver o que há por trás deles, o que não foi esquecido, perdoado, aceito.

Respondendo a primeira pergunta... Sim, é na confiança que os medos ficam pequenos.

Refletindo sobre confiança nestes dias, lembrava da cena abaixo... o lançar-se sem fios...
Pois é, a confiança mora dentro - no coração - bem além dos fios visíveis do pequeno eu.



Confie apesar de todas as dúvidas


Osho

         Buda diz: Faça o que você tem de fazer resolutamente... Mas, por resolução, ele não quer dizer vontade, como o significado comum nos dicionários. Buda é obrigado a usar as palavras de vocês, mas ele dá um novo significado às suas palavras. Por ‘resolução’ ele quer dizer “a partir de um coração decidido” – não a partir da força de vontade, mas a partir de um coração decidido. E lembre-se: ele enfatiza a palavra ‘coração’, não a mente. Força de vontade faz parte da mente. Um coração decidido é um coração sem problemas, um coração que não mais está dividido, um coração que chegou a um estado de tranqüilidade, de silêncio. Eis o que ele chama de “um coração decidido”.
        “Faça o que tem de fazer resolutamente, com todo o seu coração.” Lembre-se da ênfase no coração. A mente jamais pode ser uma – por sua própria  natureza ela é muitas. E o coração é sempre um – pela sua própria natureza ele não pode ser muitos. Você não pode ter muitos corações, mas você pode ter muitas mentes. Por quê? Porque a mente vive na dúvida e o coração vive no amor. A mente vive na dúvida e o coração vive na confiança. O coração sabe como confiar – é a confiança que o torna um. Quando você confia, de repente você fica centrado.
        Daí a significância da confiança. Não importa se sua confiança é na pessoa certa ou não. Não importa se sua confiança será explorada ou não. Não importa se você será enganado por causa de sua confiança ou não. Há toda a possibilidade de você ser enganado – o mundo é cheio de enganadores. O que importa é que você confiou. É a partir de sua confiança que você se torna íntegro, o que é muito mais importante do que qualquer outra coisa. Não é uma questão de que primeiro você tem de estar certo se a pessoa é digna de confiança ou não. Como você estará certo? E quem vai pesquisar?
        Será a mente, e a mente sabe somente como duvidar. Ela duvidará. Ela duvidará mesmo de um homem com Cristo ou Buda. Ela não pode nem ajudar a ela mesma.
        Assim, lembre-se: confiar não quer dizer que primeiro você tem de pesquisar, que primeiro você tem de deixar as coisas certas, garantidas e, então, confiar. Isso não é confiança, isso realmente é dúvida – como você esgotou as possibilidades de duvidar, daí você confia. Se uma outra possibilidade de dúvida surgir, você duvidará novamente. Confie apesar de todas as dúvidas, apesar do que o homem é ou do que o homem vá fazer. Isso é do coração, vem do amor.
        Quando você confia e ama com um coração decidido, isso traz transformação. Então, você nunca hesita. A hesitação simplesmente o mantém aos pedaços.
Dando um salto quântico, sem nenhuma hesitação ou apesar de todas as hesitações, você se torna íntegro. A hesitação desaparece, você se torna um. E tornar-se um significa libertar-se - libertar-se da própria multidão estúpida que existe dentro de você, libertar-se de seus pensamentos e desejos e memórias, libertar-se da própria mente".
            





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